Capitulo 1
“Sem
Violência”, “Sem Violência”. O povo bradava nas ruas de São Paulo exigindo
maior respeito e consideração da policia e do governo. Tudo começou no dia sete
de junho de 2013, o dia em que o povo resolveu lutar pelos seus direitos, o dia
em que o gigante acordou, este foi o dia em que a massa não-pensante percebeu
que poderia mudar algo no país. Mas ficava aquela duvida tiquetaqueando na
cabeça de todos como um irritante e desesperador relógio cuco “Não são só vinte
centavos? Para que tanto alvoroço?”, mas a revolta não vinha daquilo, os vinte
centavos foram somente o estopim de uma bomba que já estava se preparando para
explodir a muito tempo.
O
líder das manifestações era um jovem de 26 anos chamado Lucas Silveira, um bom
garoto, despretensioso e patriota, não acreditava na proporção que “sua” ideia havia
tomado, pensava que a qualquer dia iria acordar em sua cama e descobrir que
tudo havia sido um sonho e que o país ainda era o mesmo. Lucas estava no auge
de sua faculdade, pela manhã cursava Engenharia e a noite Psicologia, estava no
final dos dois cursos e por causa disso sabia muito bem como funcionava a mente
humana, sabia como fazer uma pessoa acreditar no que dizia e como alterar as
coisas ao seu favor.
O
tempo se passava e as manifestações continuaram, por todo o mês de julho,
agosto, setembro, outubro e pelo resto do ano. O governo começou a se assustar,
temiam uma grande revolução, aliás, maior do que já era. Afinal alguns
prefeitos de cidades pequenas foram expulsos, não educadamente, alguns chegaram
a ser hospitalizados, alguns chegaram a ser encaixotados e enterrados.
O
que aconteceu em 15/09/2013 foi memorável, infelizmente, o povo da pequena cidade
de São José dos Campos, no interior de São Paulo, tomou uma atitude violenta,
um grupo de pessoas incendiou a prefeitura e os poucos que conseguiram sair de
dentro do prédio foram mortos depois, outras cidades seguiram esta ideia, todos
os conflitos terminavam na morte dos assassinos e na tristeza que se abatia
sobre a cidade.
No
dia 30 de setembro o Governo Federal divulgou a lei que foi chamada pelo povo
de “Censura dos Inocentes”, era simples, quem incentivasse a ação que aconteceu
em SJC seria condenado a 50 anos de prisão, que mais tarde foi alterado para 75
anos, depois prisão perpétua e por último virou morte por fuzilamento.
O
Brasil estava virando novamente uma ditadura, o que era dito não podia ser
contrariado por ninguém, o governo mudou o lema oficial que era “País rico é país
sem pobreza” para “Louvados sejam os realmente inocentes”, e foram instalados
dois novos conjuntos de leis, o “Ordinem sine chaos” que era um conjunto de 121
regras para serem seguidas por todos os brasileiros que quisessem continuar
vivos e o “Fatum ad innocens” que são as leis que regularizam algumas penas e
torturas, tudo para silenciar a população.
Ninguém
entendia mais nada, aqueles que eram os organizadores das manifestações sumiam,
provavelmente eram torturados e mortos, qualquer um que xingasse o governo ou
apoiasse as revoltas nas redes sociais eram banidos e aqueles que se ameaçavam
alguém de cargo alto da policia ou qualquer outro órgão federal era morto e seu
nome era talhado em uma grande pedra que ficava no centro da cidade.
O
atual presidente era um tirano, ninguém o conhecia, poucos sabiam seu nome, muitos
mal sabiam de sua existência. Dizem que ele era um homem famoso do governo e
que já tinha feito coisas para o Brasil antigamente, mas ninguém sabia o que.

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